O mês de março é marcado pela campanha Março Roxo, que busca conscientizar a população sobre a epilepsia, uma condição neurológica que ainda é cercada de dúvidas e preconceitos.
Em entrevista ao Jornal do Povo, a médica neurologista Mariana Rossini explicou que a epilepsia é caracterizada por crises recorrentes causadas por alterações elétricas no cérebro. Segundo ela, é uma das doenças neurológicas mais comuns no mundo e, na maioria dos casos, tem tratamento.
A médica destacou que nem toda crise epiléptica é aquela convulsão com tremores, como muita gente imagina. Em alguns casos, a pessoa pode apenas ficar com o olhar fixo, apresentar confusão ou movimentos repetitivos, o que pode fazer com que a condição passe despercebida.
Já nas crises convulsivas, os sinais mais comuns são perda de consciência, rigidez no corpo, tremores, salivação e, às vezes, perda de controle da urina. Após o episódio, é normal que a pessoa fique sonolenta ou desorientada.
A neurologista também orientou sobre como agir ao presenciar uma crise. O principal é manter a calma, deitar a pessoa de lado, afastar objetos que possam causar ferimentos e nunca colocar nada na boca ou tentar conter os movimentos. Caso a crise dure mais de cinco minutos ou haja ferimentos, é necessário buscar atendimento médico.
De acordo com a especialista, muitas pessoas conseguem controlar totalmente as crises com o uso de medicamentos e acompanhamento médico adequado. Em alguns casos, até é possível suspender o tratamento, sempre com orientação profissional.
Apesar disso, o preconceito ainda é um dos maiores desafios. A médica reforça que a epilepsia não é contagiosa, não é sinal de fraqueza e não interfere na capacidade intelectual da pessoa.
A campanha Março Roxo reforça a importância da informação e do diagnóstico correto. “Epilepsia tem tratamento. Preconceito não”, destacou a neurologista.