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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sábado, 17 de Abril de 2021 às 11:28

19 DE ABRIL - DIA DO ÍNDIO, REFLEXÕES NECESSÁRIAS

Pe. Eduardo Alves de Lima, Coordenador Diocesano de Pastoral

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“Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem.”

“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes.”

Carta de Pero Vaz de Caminha

 

Pode-se imaginar um território colossal, de natureza exuberante, de vasto e paradisíaco litoral e coberto pela vastidão do azul do céu, a Ilha de Vera Cruz, em 1500, abrigando cinco milhões de indivíduos, divididos em mais de mil etnias, antes de ser “descoberto”? Para efeito de comparação, a nação que aportou na costa atlântica, Portugal, possuía próximo a um milhão de habitantes. Portanto, o Brasil de 520 anos atrás, já era ocupado pelos povos indígenas. Antes da colonização. A partir da chegada de Cabral, a situação dos povos nativos sofre uma mudança, passando a ter existência real para o mundo conhecido. E a história se inicia com o conceito equivocado de índio, pois os colonizadores acreditaram estar na Índia e o termo foi utilizado indiscriminadamente, nomeando assim todos os nativos igualmente, ignorando a grande diversidade dos povos indígenas que aqui viviam.

O que de início chama a atenção na história dos indígenas brasileiros é o despovoamento. Dos milhões existentes no início da colonização, há atualmente, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas, distribuídos em 256 povos, representando 0,47% dos brasileiros. De população dominante, donos da terra em que habitamos, hoje são minoria populacional e social.

As dificuldades, o desrespeito, os sofrimentos e crueldades e as violações aos direitos fundamentais com que se deparam os povos indígenas no Brasil muito tem origem na luta pela terra ancestral. Para eles, a terra é muito mais do que um bem material, ela é fundamental na construção das identidades, do modo de ser, pensar, conviver. Demarcar as terras indígenas é garantir-lhes a identidade. E é direito constitucional, não favor. Só assim cessarão as invasões e a depredação, estopim da maioria dos conflitos e mortes. Outra importância da demarcação de terras é diminuir o desmatamento, impactando, assim, positivamente o meio ambiente.

A violência que se estabelece de modo sinuoso, na presença de tamanho preconceito em relação a população indígena, o maior preconceito de todos na esfera brasileira, segundo César Sanson, sociólogo. Este sentimento anti-indígena é um modelo de racismo. Quando se analisa dados a respeito do direito à vida e a subsistência desta população, nota-se que em pleno século XXI, há situações de genocídio e etnocídio.

As agressões cotidianas vão desde a pobreza e fome às afirmações ditas e ouvidas por pessoas comuns e até em discursos políticos, nos grandes centros urbanos, no interior do Brasil: Quase não existe mais índio, daqui alguns anos não existirá mais nenhum; os índios estão perdendo sua cultura; estão inventando índios, agora todo mundo pode ser índio;  os índios têm muitos privilégios;  tem muita terra para pouco índio; os índios são preguiçosos e não gostam de trabalhar; nossa sociedade é mais avançada, não temos nada para aprender com os índios; os índios atrasam o desenvolvimento do País. O preconceito contra os indígenas está em todos os lugares

O povo brasileiro é formado pela junção de três raças: a indígena, a branca e a negra. Portanto, não há como negar a participação indígena na formação da identidade nacional. Desde sempre, somos um só povo. É urgente e necessário que neste dia 19 de abril, Dia do Índio, seja oportunidade de reflexão e aprendizado sobre as questões indígenas. Precisamos sim tirar a venda dos olhos e enxergar o indígena realmente, pois são mentiras e preconceitos que atrasam a evolução humana. Somente o conhecimento da realidade dos povos indígenas poderá diminuir a distância entre irmãos brancos e indígenas. Um reencontro, única possibilidade para o desenvolvimento pleno, justo, democrático e igualitário para todos. 

Ouça a entrevista

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