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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sexta-Feira, 29 de Maio de 2020 às 07:36

Jubileu na Pandemia

Ana Lúcia Florêncio - Pedagoga

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Desde sua criação, a Diocese de Jales vem cumprindo sua missão de evangelizar, incentivando a prática dos valores comunitários do povo que, diante das necessidades, ocupa espaços de luta contra a desigualdade social e protagoniza ações de solidariedade, como fazer uma colheita de café de um companheiro doente.

Sou parte dessa história por ter trabalhado de 1971 a 1989 nas regiões de Paranapuã e São Francisco, na formação de lideranças das pastorais, na catequese, nos grupos de famílias, na horta comunitária eem alguns serviços diocesanos, como produção de subsídios para comunidades, vocações e juventude.

Trabalhar nessa Diocese foi um aprendizado, uma formação para continuar a missão em outras situações, como o envolvimento na 2ª Semana Social Brasileira, presença com recicladores e moradores de rua em Belo Horizonte, projeto com os índios Xerente, em Tocantins,e enfrentamento à violência doméstica e sexual contra crianças e adolescentes.

A vida nos traz surpresas e imprevistos: perda de uma amizade, doenças e mortes. Acontecem também, num âmbito maior, como a queda do muro de Berlim e das torres gêmeas de New York. Com os recursos da ciência, algum infectologista, cientista, previu que todo o planeta, em pouco tempo, seria ameaçado por uma pandemia?

Em pleno século XXI, o coronavírus nos obriga ao distanciamento social, à interrupção de nossas atividades diárias, para evitar a contaminação em massa, que geraria colapso no sistema de saúde. Acreditávamos que sempre iríamos ganhar tudo no grito, na violência, que o mundo teria que nos servir e a natureza sempre ser explorada! Chegamos a pensar que fôssemos máquinas, capazes de trabalhar sem parar em busca de bens.

Hoje, muitos de nós tememos a morte, questionamos que vida queremos e que mundo deixar para as crianças e adolescentes. Estes estranham o mundo em que vivem, por isso se cortam, falam em suicídio, jogam-se nos vícios. É preciso gerar uma nova maneira de ser e conviver entre nós e a natureza. Estamos vulneráveis porque essa Covid-19 não faz distinção de classe como a gastroenterite que mata milhares de desnutridos.

Diante da pandemia, podemos escolher entre dois caminhos: aguardar que siga seu curso, acreditando que, cedo ou tarde, vai passar, e retornaremos ao “normal”; ou acolher esse tempo como desafio para refletir e tomar decisões coletivas de respeito ao outro na solidariedade, na construção da civilização do amor, da paz e da justiça social.

Evangelizar, hoje, tem que ir além de palavras bíblicas. É preciso que a boa notícia chegue aos corações voltados para si mesmos: uns não seguem orientações sanitárias, outros compram todo o estoque de álcool e máscaras de uma farmácia. Felizmente, há pessoas que se oferecem aos mais vulneráveis para compras, que divulgam telefones para idosos que queiram conversar e que levam lanches nos hospitais para quem dobra sua carga horária.

A conversão tem que passar pelas estruturas, de modo que a riqueza deixe de ser objeto de cobiça corrupta, de apego individual e seja um sonho para a coletividade. Assim como o SUS, apesar das limitações, é uma riqueza para o povo brasileiro, que também o saneamento básico, a educação, a moradia e a renda mínima sejam acessíveis, através de políticas públicas consistentes, para a superação da abismal desigualdade social.

Belo Horizonte, 28 de maio de 2020.

Ouça a entrevista

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