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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sexta-Feira, 01 de Setembro de 2023 às 07:39

UNIDADE E COMUNHÃO É O QUE PRECISAMOS

Pe. Prof. Dr. Telmo José Amaral de Figueiredo | Comissão Bíblica Diocesana – Jales – SP

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Com a chegada do mês de setembro, inicia-se em todo o Brasil o já conhecido “Mês da Bíblia”, inspirando-se no fato de que, ao final do mês, no dia 30, celebra-se São Jerônimo (342-420), o patrono dos estudos bíblicos, uma vez que ele foi tradutor e estudioso das Sagradas Escrituras. A cada ano, escolhe-se um livro da Bíblia a ser melhor conhecido e um lema, ou seja, um assunto de destaque no interior desse livro. Há uma alternância entre livros do Antigo e Novo Testamento. Este ano, o livro-tema escolhido é a Carta aos Efésios, presente no Novo Testamento. O lema é: “Vestir-se da nova humanidade!” (cf. Ef 4,24).

            Os motivos que levaram à escolha da Carta aos Efésios são dois: o primeiro deles é a relação com a sinodalidade, processo pelo qual a Igreja Católica passa em todo o mundo, convocada pelo Papa Francisco diante do Sínodo dos Bispos (outubro de 2023 e 2024) que refletirá sobre a Igreja. Efésios fala muito sobre a Igreja e sobre a visão que devemos ter dela. O segundo motivo é pela questão da iniciação à vida cristã. Essa carta fala muito sobre o batismo, esse tema é uma das prioridades da Igreja no Brasil atualmente.

            Essa carta pertence à segunda geração de cristãos, isto é, aqueles que não conviveram pessoalmente com Jesus e seus discípulos. Uma provável data para a sua redação seria entre os anos 80 e 90 da era cristã. Algum colaborador/discípulo do apóstolo Paulo deve tê-la escrito para comunidades localizadas na antiga Ásia Menor, atual território da Turquia. Éfeso era a capital romana dessa região e há uma menção na carta a um tal de Tíquico (Ef 6,21), que já havia sido nominado em At 20,4 e 2Tm 4,12, o qual é situado na comunidade cristã de Éfeso.

            A finalidade da carta pode ser buscada, não com absoluta certeza, em um dos seguintes objetivos: o primeiro, restabelecer a unidade, a paz e o bom entendimento entre os descendentes de judeus e os gregos/gentios que haviam se decidido por seguir Jesus.O segundo, estabelecer a reconciliação entre os membros da comunidade, pois não havia mais os apóstolos e discípulos diretos de Cristo para garantirem a unidade das comunidades. O terceiro, destacar os valores evangélicos, a adesão a Cristo e reforçar o compromisso cristão, uma vez que as comunidades daquele tempo conviviam em uma sociedade cujos valores eram contrários ao Evangelho de Cristo.

            A Carta aos Efésios deixa claro que a unidade da Igreja funda-se diretamente em Deus, na Trindade. Afinal, somos todos filhos e, portanto, irmãos por termos um mesmo Deus Pai, criador do universo. Jesus, o Filho, é o destinatário de toda a criação, é o Senhor do Cosmos. Recebe os títulos de: o amado, o eleito, o mediador, o unificador, o redentor, a cabeça da Igreja. Somente ele conhecia o plano de salvação do Pai (denominado de “mistério”) e o podia revelar. O Espírito Santo é aquele que dará o cumprimento da promessa de Deus Pai. Ele confirma o messianismo de Jesus e, por isso, garante a unidade da comunidade de seus seguidores.

            O lema do Mês da Bíblia — “Vestir-se da nova humanidade” — baseado em Ef 4,24, sintetiza muito bem o que o autor de Efésios pretende com a sua exortação às comunidades. Pelo nosso batismo passamos a ser participantes da vida, morte e ressurreição de Jesus, ou seja, fazemos parte da Igreja, a qual nada mais deve ser do que a comunidade onde se vive, se pratica e se expande o mistério de amor de Deus Pai, Filho e Espírito Santo a toda a humanidade. É a vida em comunidade que deve revelar ao mundo o quanto Deus nos ama. Daí a importância da Igreja, pois Deus ama e cuida do mundo mediante a comunidade dos seguidores de Jesus, quando essa atua segundo o Evangelho, é claro!

            Por isso, a Igreja,que somos nós, — aqueles que foram batizados e seguimos Jesus Cristo—sendo fiel a ele, torna-se esse “homem novo”, despojado do “homem velho”, corrompido pelas paixões enganadoras deste mundo em que vivemos (cf. Ef 4,22).

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