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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Quinta-Feira, 19 de Dezembro de 2019 às 08:41

SER PRESÉPIO EM TEMPOS SOMBRIOS

Pe. Dr. Prof. Telmo José Amaral de Figueiredo - Diocese de Jales – SP

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No último dia 1º de dezembro, Papa Francisco nos presenteou com uma pequena, mas bela Carta Apostólica, sobre o significado e a importância do Presépio, sob o título “AdmirabileSignum”, ou seja, Admirável Sinal.

Nessa missiva, o Pontífice recorda a origem o Presépio em Gréccio, na Valada de Rieti, Itália, quando São Francisco, provavelmente retornando de Roma, “onde recebera, do Papa Honório III, a aprovação da sua Regra em 29 de novembro de 1223”, se detém diante de várias grutas existentes naquela região. Essas grutas devem ter-lhe recordado a paisagem de Belém, na Terra Santa, aonde estivera recentemente. Prossegue Papa Francisco, “Quinze dias antes do Natal, Francisco chamou João, um homem da região, para lhe pedir que o ajudasse a concretizar um desejo: ‘Quero representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos do corpo os incômodos de que ele padeceu pela falta do necessário a um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha de uma manjedoura, entre o boi e o burro’.” Esse senhor pôs-se à obra! No dia 25 de dezembro de 1223, quando São Francisco e seus confrades chegaram em Gréccio, encontraram a manjedoura com palha, o boi e o burro. Não haviam imagens nesse primeiro Presépio. Como diz o papa, “o Presépio foi formado e vivido pelos que estavam presentes”. A alegria contagiou a todos e a Eucaristia foi celebrada sobre a própria manjedoura.

Se a intenção de São Francisco foi mostrar, com o Presépio, os incômodos que viveram o Messias e sua família, bem como, sua pobreza e simplicidade, nos tempos atuais não faltam outros presépios! Gostaria de trazer presente, uma iniciativa de uma das igrejas metodistas da Califórnia, nos Estados Unidos. Esse presépio dos dias atuais, faz uma analogia entre a Sagrada Família e os imigrantes separados de seus parentes na fronteira com o México.A montagem mostra Maria, José e Jesus separados, cada um dentro de uma gaiola com grades, retratando a ação do governo dos Estados Unidos em relação aos que cruzam ilegalmente suas fronteiras.Os fugitivos da fome, da miséria, da violência e de tantos tipos de guerra, batem às portas de vários países do mundo, de modo especial, dos Estados Unidos.

Na justificativa que essa igreja metodista deu para a realização desse presépio há algo que faz todos refletirmos: “Imagine Jesus e Maria separados na fronteira e Jesus com menos de dois anos tirado de sua mãe e colocado atrás de grades de um centro de detenção da Patrulha de Fronteira, como mais de 5.500 crianças nos últimos três anos.”

No mundo atual, sobram egoísmo, desigualdade, racismos, preconceitos e desprezo aos mais fracos e pobres. Não é, somente, nas fronteiras entre países que os mais pobres e indefesos são barrados! Eles são impedidos de ter um lugar, dignidade e significância, mesmo dentro de nossos corações. Vivemos tempos sombrios! Tempos de divisão mais que comunhão, tempos de radicalismos mais que de alianças, tempos de ódio mais que amor!

Por isso, como nos recorda o Papa Francisco na carta acima mencionada, “desde sua origem franciscana, o Presépio é um convite a ‘sentir’, a ‘tocar’ a pobreza que escolheu, para si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um apelo para o seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até a Cruz; e um apelo ainda a encontrá-lo e servi-lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados”.

Monte, você também, um Presépio! Não somente em sua casa, mas em seu íntimo e em suas atitudes!

Ouça a entrevista

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