columnist

Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sexta-Feira, 24 de Janeiro de 2020 às 16:43

SÃO PAULO E CIDADANIA

Padre Antônio de Jesus Sardinha - Vigário Geral da Diocese de Jales

thumbnail

Comemora-se, dia 25 de janeiro, a fundação da cidade de São Paulo, completando 466 anos. Essa data foi escolhida homenageando os jesuítas que fundaram o Colégio São Paulo, onde marcaram presença com a educação até mesmo para os indígenas. Destacaram-se os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta. Este canonizado santo pela Igreja Católica.

E quem foi São Paulo, que deu o nome ao Colégio e à cidade? Saulo era um judeu, nascido em Tarso da Cilícia, criado em Jerusalém, onde fez seus estudos religiosos da Lei (Torah), conforme relato do Livro dos Atos dos Apóstolos. Sua formação foi influenciada pelos anciãos do templo, e, sobretudo, pelos fariseus, grupo ao qual se ligou. Os anciãos e fariseus, como os saduceus, participavam diretamente das ideias e estruturas do governo do Rei Herodes e das autoridades romanas. Isso explica sua determinação em perseguir, prender e matar os seguidores do Caminho de Jesus, com a cobertura, através de cartas de recomendação, do Sumo Sacerdote e Conselho de Anciãos (At 22,3-16).

Mas, por graça de Deus, foi iluminado por uma grande luz que vinha do céu e brilhou ao seu redor, caindo por terra. Enquanto muitos usam a expressão “caiu do cavalo”, também podemos dizer que Saulo pisou em terra firme, botou os “pés no chão” e afastou-se das teorias, dos sonhos, das ambições. Diante do testemunho firme dos perseguidos, torturados, presos e mortos, sentiu-se tocado pela Palavra de Deus. “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Essa grande luz, capaz de derrubar a Saulo, questionadora a esse fariseu convicto, deveria ser de alguém poderoso. “Quem és tu, Senhor?”

“Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu estás perseguindo.” Diante dessa nova consciência, Saulo pergunta: “Que devo fazer, Senhor?” Ele vai ser conduzido para junto da comunidade, a mesma que ele queria desbaratar. Ali é acolhido, recupera a vista, ou seja, passa a enxergar a vida de outro modo. Em vez de ódio e violência, encontra amor, acolhida, luz nova, missão diferente. Não mais um perseguidor, porém um anunciador de um novo caminho para a vida. Com esse testemunho, passa a ser Paulo e também a ser perseguido. Por isso vai buscar o direito de defesa. Vale-se da dupla cidadania. Como cidadão romano, vai a Roma, para proteger-se. Com isso escapa da tirania de Herodes em Jerusalém. Mais tarde, no entanto, será condenado pelo Imperador Romano.

Que mensagem traz o Santo e a cidade? Os que detêm o poder, a riqueza, os bens, têm a tendência de imperar com autoritarismo, dominação, violência, reprimindo os pobres, os trabalhadores, os deserdados da história, sejam pessoas, grupos ou movimentos sociais.

As cidades são protagonistas da nova revolução. Elas demonstram que a economia não atende as necessidades de todos os cidadãos. Uma boa economia deve favorecerão bem estar de todos, de forma pacífica, inclusiva e solidária.  Se as cidades crescem com nichos de pobreza, significa que a economia tem bases de injustiça e discriminação.

Também a administração pública, numa democracia verdadeira, deve exercer o poder contemplando para todos o direito à cidade, proporcionar a garantia dos serviços indispensáveis para que todos possam morar,estudar, locomover-se, trabalhar, acessar a saúde e a assistência social. Será uma nova luz, um novo Caminho, uma nova cidadania. Isso exigirá a busca de garantias de seus direitos humanos, urbanos e sociais... com perseguições.

Ouça a entrevista

imagem

TEMPO VIVIDO: REFLEXÕES SOBRE A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

thumbnail

Pe. Eduardo Alves de Lima - Paróquia Santo Expedito em Fernandópolis

O MUNDO NECESSITA DE PROFETAS

thumbnail

João Gimenez Barciela Marques - Conselheiro Nacional do Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil e Membro da Comissão Diocesana da Animação Bíblica da Pastoral