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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sexta-Feira, 10 de Janeiro de 2020 às 16:53

O SONHO DA RECIPROCIDADE

Vitor Rafael da Silva Aguiar - Estudante de Teologia e Seminarista da Diocese de Jales

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Iniciando um novo ano, nos propomos viver de maneira nova, com sentido mais profundo. Como? O ser humano é dotado de sensibilidade, devendo lutar, portanto, por sua dignidade, felicidade e paz, auxiliando o outro, seu próximo, para que descubra e viva esse mesmo sentimento. Falamos, pois, do amor fraterno que, sob a perspectiva cristã, consiste no amar o próximo como o próprio Deus nos ama, testemunhando seu amor em Cristo (cf. Jo 15,12).

Qual é o motivo para vivermos esse amor ao próximo? Basta contemplarmos a vida espiritual de Jesus Cristo, Verbo Divino encarnado. Ele, nascido no seio de uma família humana, viveu em tudo a experiência humana, menos do pecado, que esvazia o ser humano. Sua experiência mais significativa foi o amor fraterno. Isto podemos provar observando os resultados deste amor. Cumprindo-se o que a Escritura prescrevia (cf. Jo 19,28), ele amou até o fim (Jo 13,1), até a morte na cruz. Do alto do madeiro, Cristo Jesus deu o seu último suspiro para que a humanidade pudesse“respirar” vida nova.

Somos, então, frutos da ação salvífica de Cristo. Ele nos deu o exemplo para que todos vivamos o mesmo amor. Mas, mesmo salvando a humanidade por amor, observamos que a morte de Cristo foi causada pelo próprio ser humano. Antes de partir, Cristo Salvador passou pela experiência dolorosa da traição. O mesmo povo que o seguia para pedir curas e saudá-lo como Rei e Senhor de suas vidas, se tornou cúmplice de sua condenação. Os gritos de euforia para chegar perto do Salvador e obter milagres,transformaram-se em gritos de “crucifica-o”! (Jo 19,6).

Mais de 2.000 anos já se passaram e o ser humano ainda não compreendeu o valor do amor fraterno e mais que isso, não compreendeu o valor da reciprocidade.Quando falamos em reciprocidade devemos entender que é algo que parte do “eu” para o “outro”, de forma livre. “Gentiliza gera gentileza”, reciprocidade gera reciprocidade, pautada na lei do amor.

Compreende-se “amor” como um sentimento profundo entre pessoas, traduzido na forma de cuidado e zelo que gera vida, a exemplo do amor divino. “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho unigênito, para que não morra todo oque nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). No entanto, a experiência da infelicidade,é a desvalorização do amor, desvalorizando-se, igualmente, a reciprocidade.

Quando duas pessoas se amam, criam entre si um sentimento profundo de carinho, partilhado por ambos, não somente por um. É algo íntimo, sem obrigação, pois Deus nos fez homens e mulheres vocacionados à liberdade. Mas é uma liberdade constituída de responsabilidade, conforme afirma o filósofo Sartre. Não somos, pois, obrigados a retribuir um sentimento, mas cultivar a reciprocidade.

A reciprocidade gera mudança de vida, sustenta o crescimento do homem e da mulher, acima de tudo em direção a Cristo, agindo como Ele mesmo agia,segundo a famosa canção de nosso querido Padre Zezinho: “amar como Jesus amou; sonhar como Jesus sonhou; pensar como Jesus pensou; viver como Jesus viveu; sentir o que Jesus sentia; sorrir como Jesus sorria; E ao chegar ao fim do dia eu sei que eu dormiria muito mais feliz”.

Vivamos, pois, com intensidade os exemplos de Nosso Senhor Jesus Cristo, atualizando seus gestos e palavras na busca de um ideal: a construção do Seu Reino, motivados por um amor profundo e sincero. Cristo se doou totalmente a nós por amor. Doemo-nos, também, uns aos outros, vivendo com generosidade e reciprocidade.

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