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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019 às 09:56

NOVOS PASSOS APÓS O SÍNODO

Pe. Edvagner Tomaz da Cruz

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Encerrou-se em Roma, no último dia 27 de outubro, o Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica. Terminado o Sínodo, poderíamos erroneamente pensar que o trabalho todo já foi realizado. Porém, é um passo a mais no percurso da reflexão na temática escolhida. Este Sínodo teve como tema “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”.

Na Sessão Conclusiva do Sínodo, Papa Francisco nos ofereceu um percurso, que a Igreja é convidada a fazer, disse ele: “terminado o Sínodo agora é voltar às Igrejas particulares com os diagnósticos levantados pelo Sínodo”. Analisemos três pontos, expressos em seguida.

O primeiro ponto que podemos sublinhar é que o Papa nos motiva a continuar a reflexão e o aprofundamento dos temas tratados no Sínodo, isto podemos chamar de sinodalidade. Sabemos que a temática da Amazônia não é específica para um país, ou algumas dioceses, mas sim um território que envolve nove países, são eles: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Brasil, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Um segundo ponto é a importância da Igreja Particular (que podemos compreender como diocese ou prelazia), este ponto é emoldurado com um aspecto eclesiológico. A constituição

Dogmática LumenGentiunnúmero 23, do Concílio Vaticano II, nos diz que “um bispo governando bem a própria Igreja, porção da Igreja universal, contribui eficazmente para o bem de todo o corpo místico”. Deste modo, as Igrejas particulares que territorialmente pertencem à Amazônia, mas também todas que de certo modo podem contribuir, exercendo bem seu papel de unidade e comunhão, bem como de responsabilidade e respeito com a verdade e a doutrina, tem o dever de apresentar caminhos positivos pensando no do corpo eclesial, a Igreja de Cristo.

O terceiro ponto refere-se ao documento final. Enquanto não temos um documento pontifício, chamado de Encíclica Pós Sinodal, o material de trabalho é o documento final apresentado ao Papa na conclusão do Sínodo, neste documento encontramos diagnósticos e sugestões. O documento apresenta o diagnóstico nos 5 capítulos que tratam de cinco dimensões: integral, pastoral, cultural, ecológico e sinodal. Damos um exemplo sobre a dimensão pastoral – a principal para a Igreja. Diante da urgência de continuar o anúncio do Evangelho para que seja cada vez mais ouvido, assimilado e compreendido pelas culturas algumas sugestões como: pensar uma ação pastoral mais permanente, repensar a questão ministerial, a questão do diaconato, a mulher e sua presença na evangelização e na Igreja, e a proposta de se chegar à ordenação de homens casados. São pontos a serem refletidos e amadurecidos.

Um outro exemplo do diagnóstico é a realidade da Amazônia. Em poucas palavras podemos dizer que o documento revela rostos feridos, uma região explorada, uma natureza devastada e políticas públicas insuficientes. O Sínodo representou um momento importante para se colocar ao centro da reflexão os pobres, os indígenas, os migrantes, os ribeirinhos e tantos outros pequenos que sem voz e sem vez, puderam por meio deste encontro eclesial serem ouvidos e vistos.

Não podemos deixar de citar como ponto sensível desta análise a conversão ecológica. A Encíclica LaudatoSi, tinha já apresentado a necessidade de uma ecologia integral, que pode ser entendida como a interligação entre ecologia e justiça social. O Sínodo suscita que como Igreja somos chamados a uma voz que denuncia a exploração, a devastação desmedida e o olhar apenas mercadológico para a Amazônia. Cuidar da “casa comum” é sim ter um olhar de desenvolvimento da região, porém sem deixar de considerar as pessoas que ali vivem, suas tradições e costumes, e acima de tudo o bem que a floresta representa para todos.

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“VIU, SENTIU COMPAIXÃO E CUIDOU DELE”, LC 10, 33-34

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Washington Henrique da Conceição, Seminarista da Diocese de Jales e médico.

80 ANOS: PANORAMA DOS GRANDES EVENTOS

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Dom Demétrio Valentini - Bispo Emérito