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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Segunda-Feira, 03 de Agosto de 2020 às 07:42

JUBILEU DA DIOCESE DE JALES: “CRESCENDO EM DIREÇÃO A CRISTO”

Padre Eduardo Lima, Administrador da Paróquia Santo Expedito, de Fernandópolis

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O passado não volta. Importantes são a continuidade e o perfeito conhecimento de sua história.

Lina Bo Bardi

 

O tema é clássico e atemporal: o passado é de extrema importância e a melhor forma para a compreensão do momento presente e o planejamento para o futuro. Com a ciência cada vez mais especializada e um mundo com comunicação mais difundida e rápida, a história é uma ferramenta poderosa para que nossa Diocese e toda sua comunidade tenham melhor entendimento de si próprias no hoje. E assim, compreendendo as tendências e os ciclos dos acontecimentos, obter novas perspectivas ou apontar soluções diferentes. Neste Jubileu de 60 anos, o resgate da história diocesana, interpretada a partir dos desafios do presente e identificando os modelos da Igreja que vivemos, vislumbrará a Igreja que pretendemos para o futuro.

A Diocese de Jales está celebrando o seu Jubileu de Diamante – 60 anos. Criada pelo Papa João XXIII e instalada no dia 12 de dezembro de 1959, a Diocese comemora 60 anos de vida, 60 anos de evangelização, 60 anos de comunhão e participação.

A década de 60 foi um período de grandes transformações, contestação e reforma cultural. Contudo, mudanças no comportamento além da participação popular frente às questões sociais e políticas, caracterizaram-se como principais.

A criação da Diocese de Jales coincide com o anúncio do Concílio Ecumênico Vaticano II e a caminhada desta porção do povo de Deus segue crescendo sob as mudanças revolucionárias definidas pelos documentos conciliares e pelas suas adaptações à América Latina, consolidadas na Conferência de Medellín (1968).

Neste relevante momento, a Igreja passou a considerar a realidade social e econômica local das paróquias e dioceses como ponto de partida para a elaboração de seus planos de pastoral. Deste modo, as mudanças sociais e econômicas passaram a condicionar as práticas pastorais.

A região de Jales também passou, nas décadas de 1950 e 1960, por um processo de urbanização em consequência da crise da agricultura. A mecanização e aumento do uso de fertilizantes e agrotóxicos, criaram um novo modelo para a lavoura, que privilegiou a oligarquia rural e dificultou a vida no campo para o pequeno agricultor. Simultaneamente, o governo brasileiro, investe no desenvolvimento industrial. A nova diocese, advinda do catolicismo tradicional habituado com relações sociais rurais, se defrontou com as transformações urbanas dos costumes e dos consequentes problemas sociais e se concilia à nova realidade.

A agricultura tradicional de base familiar, com diversidade agrícola, pequenos sítios na maioria propriedade de descendentes de italianos, portugueses e japoneses e de migrantes nordestinos, que labutavam na cultura do café, inspirava cuidados para com o homem do campo. Dentre as questões que então chamavam a atenção do episcopado brasileiro, destacava-se a mobilização para a fixação do trabalhador rural no campo. Neste contexto, a diocese de Jales, através da atuação do seu primeiro Bispo Dom Arthur Horsthuis, incentivador das pastorais e de modo especial do Padre José Jansen, promoveu a conscientização da resistência pela terra e a formação da Pastoral Rural.

Aproveitando-se do processo de popularização do rádio, que fez dele quase que uma presença obrigatória nos lares brasileiros, uma espécie de utensílio indispensável, a Diocese se adapta ao tempo e inaugura a Rádio Assunção de Jales. Através deste veículo de comunicação, conseguiu alcançar o povo do campo. O programa “Amanhã é Domingo” obteve grande audiência de público, especialmente aquele das comunidades rurais, contemplando seu objetivo de evangelização.

A relação de respeito à religiosidade popular marcou a Diocese de Jales, incentivada pelo Pe. José Jansen, que acompanhava de uma comunidade a outra as Folias de Reis.

Por conseguinte, a Diocese de Jales viabilizou, como ponto de partida para a vivência da fé e da ação pastoral, o conhecimento da realidade social e econômica concreta de cada Paróquia, comunidade, enfim do Povo de Deus que a compõe e a possibilidades de como Igreja, exercer sua missão no mundo. 

Ouça a entrevista

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