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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sábado, 21 de Março de 2020 às 07:28

“ESPERAR CONTRA TODA DESESPERANÇA” (RM 4,18)

Pe. Carlos Enrique Santos da Silva, MSJ

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A esperança, força impulsionadora do espírito, é um dos mais belos sentimentos constitutivos da natureza humana, presente e fundamental em toda a história da Salvação. Vai alimentando a vida do povo de Deus pelas promessas divinas chamando o homem sempre mais a um futuro de plena realização.

O homem, criado por Deus, traz em seu íntimo o dom desse mesmo Deus, que é a esperança. Vive enquanto faz projetos e espera realizá-los. Sua vida terá mais êxito na medida em que se dirija ao projeto de amor D’aquele que nos chamou à existência. O pecado desvia o homem desta meta, enfraquecendo sua esperança. Destinado, contudo à felicidade, Deus intervém na sua história propondo Seu projeto reconciliador, envia seu único Filho para redimir os pecados do homem, restituindo-lhe a semelhança divina deformada desde o primeiro pecado. “A esperança é a última que morre” diz a sabedoria popular, tal pensamento encerra uma profunda verdade. A vida é esperança, mas é algo mais: é amor, porque sem amor não cabe uma verdadeira esperança. O que ama não desespera.

Em Jesus Cristo Missionário do Pai, solidário com os homens, razão de nossa esperança, aprendemos a lição da fraternidade que gera alegria ao coração humano e ilumina as diversas situações de morte, dependência e exclusão que ferem os princípios de justiça e da dignidade humana. A solidariedade de Cristo para com os homens é exemplo e incentivo à nossa esperança de que podemos contribuir para a mudança de estruturas geradoras de injustiça.

Toda vida deve ser respeitada e cuidada, eis o grande apelo da CF 2020: “viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). No mundo de vivências tão marcadas pela desesperança somos chamados a ser instrumentos nas mãos do Pai para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna, como nos aponta o Papa Francisco: “Uma Igreja em saída, missionária, é uma Igreja que não perde tempo a lamentar-se pelas coisas que não funcionam, pelos fiéis que diminuem, pelos valores de outrora que não mais existem. Uma igreja que não procura oásis, protegida para estar tranquila: deseja apenas ser sal da terra e fermento para o mundo. Sabe que esta é sua força, a mesma de Jesus, não a relevância social ou institucional, mas o amor humilde e gratuito” (Papa Francisco).

Esta é uma Igreja tomada pela fé, pela esperança e pela caridade que, em meio às vicissitudes de seu tempo, procura ser fiel ao mandato de Cristo de ir e evangelizar todos os povos. Em meio à pandemia do medo do novo coronavírus, da queda das bolsas, da instabilidade política e social dos nossos problemas e desafios pessoais, na força da fé em Cristo, termos a alegria de dizer: “Eu sei em quem coloquei a minha esperança” (2Tm 2,12).

Que sejamos uma Igreja vestida de Evangelho e sandálias, isto é, que o Evangelho seja nossa alma e oxigênio, na carne de todo homem e como as sandálias que marcam o caminhar, sejamos inseridos e comprometidos no chão do povo: suas esperanças, suas tristezas, suas lutas, sua cultura e sua vida, para que todos tenham a vida em Deus aqui e agora, como sinal da participação no Reino definitivo, preparado por Deus para nós.

Ouça a entrevista

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