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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sexta-Feira, 17 de Junho de 2022 às 08:29

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA: CUIDADO E EVANGELIZAÇÃO COM TODOS

Vitor Rafael da Silva Aguiar | Estudante do 3º ano de Teologia do Seminário Diocesano de Jales

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Desde o início do mês de maio ao início deste mês de junho, a Diocese de Jales vivenciou um momento de profunda formação acerca da Doutrina Social da Igreja. Essa, por sua vez, teve como assessor o religioso Frei Flávio Guerra da Ordem dos Frades Menores da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Mestre em Teologia Moral e pós-graduado em evangelização, Frei Flávio percorreu todos os setores da nossa Igreja particular de Jales visitando diversas Paróquias e seus respectivos trabalhos sociais.

A temática principal da sua formação, como já fora mencionado anteriormente, é a Doutrina Social da Igreja. Essa expressão foi remontada pelo Papa Pio XI e faz menção ao corpus doutrinal que se refere à sociedade desenvolvida na Igreja a partir da Encíclica Rerum Novarum de Leão XIII em 1891. Seu objetivo principal é “o desenvolvimento do homem todo e de todos os homens” (Cf. Paulo VI, Populorum Progressio).

Mas de qual desenvolvimento humano falamos? Aqui se destaca o desenvolvimento social, ou seja, a formação humana diante da realidade social em que este ou aquele homem vive. É perceptível, sobretudo nos dias atuais, a capacidade humana que gera o individualismo onde cada qual olha para si e somente para si. O próximo, como nos ensina Jesus Cristo, que são os nossos irmãos e irmãs, ficam a margem. Situação atroz ocorre com aqueles que demasiadamente vivem na pobreza e, consequentemente, sem moradia, alimentação, emprego e testemunham o descaso da marginalização e até mesmo ocultação do ambiente social.

É interessante perceber que são nessas pessoas que a nossa ação social carregada da espiritualidade deve ser incisiva. Afinal, conforme explicita os documentos e exortações conciliares: a opção da Igreja é pelos pobres. E o dever de “cada cristão e cada comunidade é ser instrumento de Deus para a libertação e promoção dos pobres” (EG, 187).

O que é, então, ser pobre? Muito mais que ter condições sociais precárias, o ser pobre é o homem despojado que vive sua vida espiritual à luz da realidade social. Isso implica a ele assumir o caráter de cuidado, zelo, amor, doação e manifestação da Pessoa de Jesus Cristo aos irmãos e irmãs empobrecidos. Pois, “bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus 5, 3).

Dentro da família, da igreja e da sociedade a prática do cristão deve ser buscar a prática do bem comum. Este bem refere-se, por exemplo, a serviços essenciais ao ser humano: acesso a alimentação, habitação, trabalho, educação, cultura, transporte, saúde, informação, liberdade. Implica também o empenho pela paz, a organização dos poderes do Estado, um sólido ordenamento jurídico, a proteção do meio ambiente. Enfim: a proteção da dignidade da pessoa humana, conforme explicitou Frei Flávio durante as suas alocuções. O respeito à dignidade humana passa necessariamente por considerar o próximo como outro eu, sem excetuar ninguém. A vida do outro deve ser levada em consideração, assim como os meios necessários para mantê-la dignamente.

Portanto, cabe-nos questionar: como estou exercendo o meu ser cristão? Como tenho olhado para o irmão necessitado? Quais ações tenho feito para fomentar a paz e a igualdade? E assim possamos suplicar ao Senhor: “[...] Deus de amor, mostrai-nos o nosso lugar neste mundo como instrumentos do vosso carinho por todos os seres desta terra, porque nem um deles sequer é esquecido por Vós, amém!” (Oração pela mãe Terra).

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