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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Quinta-Feira, 05 de Março de 2020 às 16:48

DIA INTERNACIONAL DA MULHER – SIM À VIDA, NÃO À VIOLÊNCIA

Elza Maria de Andrade, Professora, membro da Pastoral da Cidadania da Diocese de Jales.

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O 8 de março foi formalizado como o “Dia Internacional da Mulher” pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1975, com o objetivo de educar a humanidade sobre a necessária igualdade de direitos entre mulheres e homens. Somos convidadas a refletir sobre os principais problemas enfrentados por nós, mulheres. A história das mulheres é marcada por muita discriminação, marginalização e violência.

Dentre as muitas violências sofridas pela mulher, o feminicídio é uma realidade também na nossa região. Feminicídio é o termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos por estas serem do gênero feminino. Em outubro de 2019, o G1 apontou cinco feminicídios em São José do Rio Preto, em apenas 9 meses.  Cabe lembrar alguns casos bem próximos de nós para que estes fatos tão graves não sejam ignorados: Simone Maldonado, 35 anos, morta pelo marido médico em Fernandópolis em 2000; Maria Júlia Martins Quintino da Silva, 17 anos, estudante da UNESP em Ilha Solteira, morta pelo ex-namorado em abril de 2018; Alcione Souza Oliveira, 24 anos, morreu em Jales assassinada pelo ex-companheiro, em maio de 2018; Suelen Karine Camilo, 29 anos, morta pelo marido em Votuporanga, em dezembro de 2018 eAnielli Geovana Sanches Foresto, 25 anos, assassinada pelo parceiro em Populina, em junho de 2019. Todas mortes muito violentas.

Segundo a promotora Valéria Scarence do MP-SP, o feminicídio  é na verdade um crime de ódio. Segundo ela “O que motiva esses homens não é um sentimento de amor, mas de propriedade e um ódio por terem sido abandonados ou contrariados... são atos de extermínio, porque há repetição de golpes, não é simplesmente uma morte, é uma morte com dor”.

No Brasil os casos de violência contra a mulher são alarmantes e crescem ano após ano. A violência cotidiana contra mulheres que são agredidas por companheiros ainda é assustadora. Dados de 2019 revelam que três mulheres são vítimas de feminicídio por dia; uma mulher é vítima de estupro a cada 9 minutos e uma mulher registra agressão sob a Lei Maria da Penha a cada 2 minutos.

Ainda vemos a injustiça contra a mulher presente no mundo do trabalho, fato reconhecido há muito tempo, como vemos na desigualdade salarial. Foi constatado que em 2018, as trabalhadoras ganhavam em média 20,5% menos que os homens no Brasil.

A teóloga Solange do Carmo aponta a presença constante das mulheres na Bíblia. No Evangelho,há o sinal concreto de que caminhavam junto a Jesus: “em Mateus, são as matriarcas do Messias (Mt1,1-16); em Lucas, elas têm estatuto de discípulas (Lc 8,1-2); em João, são elas que ficam ao pé da cruz quando os homens fogem cheios de medo (Jo 19,25-27); em Marcos, são elas que em primeiro lugar, vão ao sepulcro a procura do Mestre recebendo a tarefa de comunicá-lo aos demais (Mc16,1-8)”.

 A Campanha da Fraternidade de 2020, inspirada na parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37) propõe a reflexão sobre a defesa da vida e compromisso de toda cristã e cristão de sentir compaixão, cuidar dos caídos  e compreender a palavra de Jesus: vai e faça o mesmo como apelo de solidariedade,  para que olhemos a realidade das mulheres nos meios em que convivemos,  vítimas de tantas situações não cristãs.

Ouça a entrevista

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Jubileu na Pandemia

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Ana Lúcia Florêncio - Pedagoga

O PROTAGONISMO DA MULHER, INSPIRADO EM SANTA RITA DE CÁSSIA

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Padre Natalino Sérgio de Araújo, Coordenador Diocesano de Pastoral