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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sexta-Feira, 31 de Janeiro de 2020 às 07:32

AMAZÔNIA HUMANIZADORA

Igor Kawakame Rathlef, Estudante de Teologia e Seminarista da Diocese de Jales

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Em atenção às necessidades humanitárias da Região Amazônica, realizou-se a II Missão UNIVIDA Amazônia, entre os dias 5 a 13 de janeiro, às margens do Rio Andirá, extremo Leste do Estado do Amazonas. Participaram aproximadamente 100 voluntários, entre profissionais, universitários, padres e seminaristas, sob a coordenação do Pe. Eduardo Lima, da Diocese de Jales.

O objetivo dessa Missão foi levar os participantes a um encontro pessoal com as populações originárias daquela região e auxiliá-los em questões humanitárias, como atendimentos médicos e odontológicos, e diálogo intercultural por meio conversas sobre suas realidades.

A população dessa região é formada por ribeirinhos, quilombolas e, sobretudo, indígenas da etnia Sateré Mawe. A realidade social da Amazônia é marcada por uma profunda riqueza cultural, advinda da sabedoria dos povos da floresta, que ainda mantêm rituais e tradições milenares. A Igreja Católica tem uma presença atuante junto às populações originárias, com uma fé marcada pela enculturação do Evangelho à tradição indígena.

Os desafios enfrentados pelas populações amazônicas, com os quais os voluntários da UNIVIDA entraram em contato e sobre os quais puderem refletir, são imensos. Destaca-se, do ponto de vista social, um grande descaso com a população, por parte dos governantes, no que se refere às políticas públicas que garantam educação e saúde de qualidade. O desmatamento da Floresta Amazônica, a poluição do ar e das águas já são sentidas pelos povos indígenas que dependem para sua subsistência, da mata e do rio.

Há também, entre as populações originárias, uma forte perda de identidade cultural e social, principalmente em relação às novas gerações. Salienta-se, ainda, no que se refere à Igreja, comunidades eclesiais muito vivas e atuantes. No entanto, ainda há uma grande falta de presbíteros nessa região, o que gera acesso muito raro à Eucaristia, principalmente aos domingos, e aos demais sacramentos.

Desse modo, tornam-se urgentes as ações humanitárias que propiciem saúde de qualidade às populações, ações educacionais que promovam as diversas culturas regionais e que garantam o sustento dos povos, como o incentivo à agroecologia, além de ações que garantam uma reflexão sociopolítica acerca dos direitos e deveres de cada povo e de cada pessoa para a manutenção da sua cultura e, sobretudo, da vida.

Há, também, uma urgência da presença de Missionários – Presbíteros e Cristãos leigos e leigas - para animar a fé popular e a vida das comunidades eclesiais com a celebração dos sacramentos e uma adequada catequese integrada às culturas e tradições dos povos originários. É preciso, da mesma forma, fomentar vocações nessas comunidades, pela oração e acompanhamento dos vocacionados e vocacionadas.

Espera-se, agora, que os “Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral” apontados pelo Sínodo sobre a Panamazônia, realizado em Roma, no mês de outubro do ano passado, possam fortalecer a vida e a missão das Comunidades Eclesiais nessa importante região do mundo, e contribuir com o próprio desenvolvimento de missões humanitárias, a exemplo da UNIVIDA, pela qual vive-se a práxis do amor cristão, em favor da vida em abundância (cf. Jo 10,10).

A Missão UNIVIDA Amazônia ao tocar profundamente tanto a população que recebe cuidado e atenção, quanto os voluntários, que se doam para promover dignidade e paz aos menos favorecidos, é uma verdadeira escola de humanização. Missões como essa devem crescer e se espalhar.A humilde gratidão dos povos indígenas enche-nos de esperança: WakuSese! (Muito Obrigado!).

Ouça a entrevista

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