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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sexta-Feira, 11 de Setembro de 2020 às 14:46

“ABRE TUA MÃO PARA O TEU IRMÃO” (DT 15,11)

Pe. Dr. Telmo José Amaral de Figueiredo - Paróquia São Benedito - Urânia - Diocese de Jales

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Todos os anos, o Mês da Bíblia nos oferece para estudo, reflexão e oração um livro ou uma importante passagem bíblica. Neste ano, é o livro do Deuteronômio que nos é ofertado.Vamos saber o que nos espera ao abrirmos esse quinto livro da Bíblia Sagrada.

Comecemos pelo nome do livro, o que significa esse vocábulo “Deuteronômio”? Em língua grega, significa “segunda Lei” (dêuterosnómos). Foi a tradução grega do Antigo Testamento, conhecida como Setenta (Septuaginta), que deu esse nome ao quinto livro da Bíblia, fundamentando-se em Dt 17,18, entendendo a expressão “uma cópia desta lei”, como sendo uma “segunda lei”. Apesar da interpretação ser imprecisa, não deixa de ser uma verdade. Afinal, o Deuteronômio foi visto pelos judeus como a segunda promulgação da Lei de Deus, nas planícies de Moab, enquanto que, a primeira promulgação, havia ocorrido aos pés do monte Sinai, segundo nos relata o livro do Êxodo.

Quando foi redigido esse livro? A resposta a essa questão não é fácil, pois o Deuteronômio (Dt) é o produto de uma redação que durou séculos, isso mesmo! Em seu interior há materiais que são da época pré-estatal de Israel (1200-1000 a.C.); da época monárquica do Reino de Israel Norte (século VIII a.C.); do período do rei Josias, Reino de Judá Sul (620-609 a.C.); do período em que a elite de Judá viveu exilada na Babilônia (587-538 a.C.); e da época após o exílio babilônico (538-400 a.C.). Portanto, é um livro que recolhe diversas circunstâncias da vida do Povo de Deus e as suas respectivas preocupações. Por isso, é importante buscar compreender cada lei presente no Dt em seu contexto.

Quem escreveu esse livro? Levando em consideração o que foi dito no parágrafo anterior, houve várias mãos que colaboraram para a feitura dessa obra. Desde as tradições genuínas das famílias, dos clãs e tribos da época que, ainda, não havia uma monarquia em Israel; passando pela influência de profetas do Reino de Israel Norte, pelos escribas das cortes dos reis Ezequias (716-701 a.C.) e Josias (620-609 a.C.), ambos do Reino de Judá Sul; até os escribas levitas do período exílico e pós-exílico (587-400 a.C.). Em linhas gerais, o Dt é o resultado de um movimento renovador denominado Deuteronomista. Esse movimento atravessou séculos e procura interpretar aquilo que acontece com o povo à luz da vontade de Deus, é o que poderíamos chamar de ler e compreender os “sinais dos tempos”.

Para que o Dt foi escrito? Sendo fruto de um longo processo de redação e tendo sofrido a influência de vários grupos de escritores, não é tão simples determinar um objetivo único para esse livro. No entanto, observando sua forma final, aquela que está em nossas bíblias, podemos afirmar que são dois esses objetivos: o primeiro é fazer com que o povo observe (obedeça) melhor a Lei de Deus, uma lei que promove e preserva a vida, acima de tudo! Para tanto, leia Dt 30,19-20. O segundo objetivo, esse mais ligado às tradições das cortes monárquicas se Israel e Judá, é fazer um apelo para que o povo se converta ao Deus oficial, o Deus único e poderoso, bem como, à sua lei do puro e do impuro e à unidade do povo eleito, Israel. Para nós, hoje, é mais importante, obviamente, o primeiro objetivo.

O que o Dt nos diz de mais importante? Mergulhando nos textos do livro ficamos fascinados com a quantidade de leis, normas, decretos etc. Porém, não se engane! Esse é um livro no qual as leis brotam da vida! As leis comparecem para preservar aspectos fundamentais da vida do povo. É claro que há, também, algumas leis estranhas: leis desumanizadoras (Dt 20,10-14); leis de centralização a serviço do poder e do lucro (Dt 12,2-7) e a lei do Deus violento e castigador (Dt 13,7-12). Nada disso deve nos escandalizar ou assustar, pois é fruto da mentalidade de certas épocas da história do Povo de Deus. O que predomina no livro, e que mais nos interessa, é aquilo que frei Carlos Mesters e Francisco Orofino muito bem definiram como os sete temas ou as sete janelas pelas quais podemos ler o Dt: a) “O amor de Deus é a chave para interpretar os fatos da história. Foi por amor que Deus tirou o povo do Egito” (Dt 7,7-8); b) “Sem memória, o povo perde a sua identidade e o rumo da sua missão” (Dt 6,20-21); c) “Pelo seu jeito de servir, o povo revela o rosto de Deus... Nosso privilégio é poder servir os outros” (Dt 15,11); d) “Viver em estado permanente de êxodo, ‘saída’” (Dt 24,18); e) “A vida do povo deve ser um sinal da presença de Deus... Quando todos observam os Mandamentos de Deus, não surge pobre” (Dt 15,4); f) “O verdadeiro Deus é aquele que libertou o seu povo da escravidão do Egito e lhe garantiu a vida”, isso jamais pode ser esquecido (Dt 5,6-8); g) há um compromisso mútuo entre Deus e o povo, o livro do Dt é o livro da Aliança, uma aliança feita hoje, sempre atual e renovada (Dt 5,2-3).

Agora, é abrir o livro do Dt e iniciarmos nossa leitura!

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