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Editorial da Semana

Editorial da Semana - Diocese de Jales

Sábado, 15 de Setembro de 2018 às 14:55

A BÍBLIA: LIVRO NECESSÁRIO!

Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo |Mestre em Ciências Bíblicas & Doutor em Literatura Hebraica. Presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica – ABIB

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É de conhecimento comum, que o mês de setembro é denominado, na Igreja, como «Mês da Bíblia», mas de onde vem essa tradição?O Mês da Bíblia surgiu em 1971, por ocasião do cinquentenário da Arquidiocese de Belo Horizonte, Minas Gerais. Foi levado adiante com a colaboração efetiva do Serviço de Animação Bíblica (SAB), coordenado pelas irmãs Paulinas, até posteriormente ser assumido pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) e estender-se ao âmbito nacional.

            Os objetivos que motivaram sua criação foram:

* contribuir para o desenvolvimento das diversas formas de presença da Bíblia, na ação evangelizadora da Igreja, no Brasil;

* criar subsídios bíblicos nas diferentes formas de comunicação;

* facilitar o diálogo criativo e transformador entre a Palavra, a pessoa e as comunidades.

            Para isso, a cada ano, a Igreja focaliza um livro ou parte de um livro da Bíblia. Neste ano, o livro da Sabedoria está no centro da atenção. Este livro já foi objeto de um artigo anterior ao meu, portanto, preferirei abordar o papel que as Sagradas Escrituras possuem no interior da Igreja e da vida cristã.

            Restringindo-nos à era moderna, Papa Leão XIII, em sua carta encíclica Providentissimus Deus(1893), estimula o estudo e a reflexão das Sagradas Escrituras, sublinhando as vantagens que nos vêm dessa atitude, citando 2Tm 3,16-17: «Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra» (n. 4). Leão XIII recorda que o próprio Cristo «costumava, no exercício de seu mandato divino, recorrer às Escrituras sagradas» (idem). Para a Igreja, as Sagradas Escrituras são fruto de um presente que o Espírito Paráclito «deu ao gênero humano... para iniciá-lo nos mistérios da divindade» (Papa Bento XV, SpiritusParaclitus, n. 1). Papa Bento XV, recordando o valor que teve São Jerônimo (347-420) para o estímulo aos estudos da Palavra de Deus na Igreja, cita um trecho da carta deste estudioso à virgem Demétria, a fim de estimular em todos o amor pela Bíblia: «Ama a sagrada Escritura... e a sabedoria te amará, ama-a afetuosamente, e ela te protegerá, honra-a e receberás os seus afagos. Que ela seja para ti como os teus colares e os teus brincos» (ibid., n. 15). Impressionante a atualidade da constatação que, em 1943, o papa Pio XII faz da importância da leitura e interpretação da Bíblia serem auxiliadas por outras ciências, vejamos: «o sentido literal de um escrito, muitas vezes não é tão claro nas palavras dos antigos orientais como nos escritores do nosso tempo. O que eles queriam significar com as palavras não se pode determinar só pelas regras da gramática e da filologia, nem só pelo contexto; o intérprete deve transportar-se com o pensamento àqueles antigos tempos do Oriente, e com o auxílio da história, da arqueologia, etnologia e outras ciências, examinar e distinguir claramente que gêneros literários quiseram empregar e empregaram de fato os escritores daquelas épocas remotas» (Divino AfflanteSpiritu, n. 20). Assim, o papa Pio XII reconhece que os textos bíblicos não podem ser interpretados livremente, sem o recurso às ciências que nos ajudam a melhor compreender o que os seus escritores pensavam e desejavam. Em 1965, na conclusão do Concílio Vaticano II, a constituição dogmática Dei Verbum estimula tanto o clero quanto o povo cristão a que mantenham «contato íntimo com as Escrituras, mediante leitura assídua e estudo aturado, a fim de que nenhum deles se torne “por fora pregador vão da palavra de Deus, sem dentro a ouvir”» (n. 25). Depois, o Concílio ainda recorda São Jerônimo que diz: «Desconhecimento das Escrituras é desconhecimento de Cristo» (idem). Reconhece, também, a Dei Verbum, que «a oração deve acompanhar a leitura da sagrada Escritura, para que haja colóquio entre Deus e o homem; pois “com ele falamos quando rezamos, e a ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos”» (idem, citando Santo Ambrósio).

            Concluindo, na exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini(2010), Papa Bento XVI nos recorda algo essencial: «Uma vez que todo o Povo de Deus é uma povo “enviado”, o Sínodo reafirmou que “a missão de anunciar a Palavra de Deus é dever de todos os discípulos de Jesus Cristo, em consequência do seu batismo”. Nenhuma pessoa que crê em Cristo pode sentir-se alheia a esta responsabilidade que deriva do fato de ela pertencer sacramentalmente ao Corpo de Cristo» (n. 94). E, evidentemente, o Sínodo reconhece que «A Palavra de Deus impele o homem para relações animadas pela retidão e pela justiça, confirma o valor precioso aos olhos de Deus de todas as fadigas do homem para tornar o mundo mais justo e mais habitável» (n. 100).

            Que todos nós, cristãos, nos sintamos estimulados e apaixonados pela leitura, estudo, meditação e oração das Sagradas Escrituras em setembro e sempre!

Ouça a entrevista

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